
Formada em Administração pela Universidade Federal do Ceará (UFC), a empresária Beatriz Nagano cresceu acompanhando de perto a rotina do Kina, restaurante japonês fundado por sua família em Fortaleza. Filha de pais que vieram de São Paulo para investir na gastronomia japonesa no Ceará, ela começou a participar do negócio ainda jovem e, há mais de dez anos, contribui para a gestão da marca, que soma mais de duas décadas de história.
Ao longo dessa trajetória, Beatriz assumiu a frente de iniciativas voltadas à modernização da empresa, com investimentos em marketing digital, desenvolvimento de produtos, implantação do delivery e estruturação de processos de recursos humanos.
O trabalho envolve conciliar as mudanças no comportamento do consumidor com a preservação da identidade construída pela família. Atualmente, o Kina conta com três unidades, localizadas no Del Paseo, no Iguatemi e no Benfica.
Em entrevista ao Sabores da Cidade, Beatriz fala sobre os desafios de gerir um negócio familiar, a importância da gestão de pessoas e as transformações no setor de alimentação.
Ela também aborda os impactos das mudanças nos hábitos de consumo, as dificuldades enfrentadas pelo segmento gastronômico e os planos de expansão do Kina, com foco no crescimento organizado e na presença em outros shoppings de Fortaleza e regiões próximas. Leia a entrevista completa abaixo.
Sabores da Cidade: Você atua no Kina, um negócio familiar. O que pesou nessa escolha e como foi assumir responsabilidades em uma empresa que já tinha uma trajetória de anos?
Beatriz Nagano: Eu vim para cá quando eu tinha dois anos de idade. Antes de vir, os meus pais moravam em São Paulo e eles estudaram o mercado e viram que tinha oportunidade na área da gastronomia japonesa. Então, eles estudaram mais sobre, fizeram um curso e vieram para cá (Ceará) com a intenção de trabalhar nessa área.
Então, com dois anos de idade, eu cresci nesse meio e eu sempre vi meus pais participando de eventos. No início eles faziam eventos em casa, então ficavam cozinhando e eu sempre vi meus pais nesse meio. Depois eles abriram um restaurante e a gente ficava lá, direto com eles, então, de fato, eu cresci nesse meio.
Eu sempre fui uma pessoa muito curiosa, sempre gostei de ver meu pai cozinhando. Gostava de ver a minha mãe, o que ela fazia no escritório. Acho que isso, por inspiração mesmo, me fez entrar nesse meio.
Mas eu entrei aos poucos, em uma parte que na época eles não tinham tanto conhecimento, como é uma empresa familiar e muito antiga, com 24 anos. Eles eram focados mais no dia a dia mesmo e eu entrei para trazer mais marketing, mais inovação em produtos, mas sempre respeitando a gestão deles e o legado que eles deixaram no Kina. Sempre respeitei muito tanto a minha mãe quanto o meu tio nas decisões deles.

Como equilibrar a tradição e a identidade de uma marca familiar com a necessidade de inovar e acompanhar mudanças no comportamento do consumidor?
Ao mesmo tempo que sempre respeitei as decisões deles (tio e mãe), eles também sempre foram muito abertos ao que eu trazia de novidades, se eu tinha ideia de algum prato… Eles me deixaram muito livre também no marketing, então eu implantei todo o delivery nas lojas.
E acho que foi assim que gerou um equilíbrio, eu respeitando a identidade, o legado e a história, e eles me deixando também livre para inovar e pensar em mais marketing, outros pratos, adaptando tendências, porque eu sempre gosto de observar tudo que tem ao meu redor para o que podemos colocar de diferente.
Quais são hoje os principais desafios de gestão do Kina, que hoje conta com três unidades – Del Paseo, Iguatemi e Benfica?
O maior desafio, atualmente, está sendo pessoas. E a gente tem se adaptando muito a isso, em relação a escalas de trabalho, hoje nós temos uma consultoria de recursos humanos que nos ajuda a criar processos, treinamentos, a fortalecer a nossa cultura, porque realmente está sendo muito desafiadora essa parte de contratação.
E, de fato, pessoas são o pilar mais importante de toda a empresa, principalmente se você quer crescer, precisa preparar pessoas para essa fase de crescimento e, com isso, a gente precisa sempre estar contratando e selecionando novos colaboradores.
Você trouxe novos conceitos para o Kina. Que oportunidades enxergou na marca e que mudanças sentiu necessidade de implementar?
Eu entrei na empresa quando só tinha o Kina do Del Passeo e o do Pátio Dom Luiz, que na época tinha e depois a gente fechou na pandemia.
E nessas duas localidades já era uma marca muito consolidada e o Kina foi um dos primeiros restaurantes japoneses de shopping, nesse conceito de praça de alimentação aqui em Fortaleza. E eu entrei tanto para abrir no Iguatemi e foi até um dado interessante, que a gente viu que era uma marca consolidada nessa região, mas no Iguatemi muitas pessoas ainda não conheciam. E o Iguatemi serviu muito para expandir a marca e de vitrine para o Kina.
As necessidades que eu senti de implementar, de início, embalagem, porque a gente tinha estava bem assim no início do delivery que ficou bem mais forte e se consolidou mesmo na pandemia, mas eu já mudei todas as embalagens.
O marketing também, principalmente o digital, a gente não trabalhava praticamente com o Instagram e aí eu deixei o marketing do Kina bem mais ativo e por último eu implantei a área do RH, mesmo com a consultoria terceirizada, mas agora a gente tem processos bem mais definidos.

E quais são hoje os maiores desafios para quem atua na gestão de empresas do setor de alimentação e gastronomia em Fortaleza?
Eu vejo que realmente tem sido um ano complicado tanto pela mudança do consumo do comportamento do consumidor, principalmente em função das canetas [emagrecedoras]. Então mudou o consumo. Além disso, a inflação muito grande comparado ao início do Kina.
Essas várias mudanças tributárias que estão acontecendo, que começaram esse ano e aí a gente está aqui correndo para entender tudo e saber como agir nos próximos anos e também a questão da mão de obra que realmente tem sido um grande desafio.
Há algum projeto ou mudança que você tenha liderado no negócio e que considere especialmente importante para sua trajetória profissional?
Eu acho que o que eu implantei no que Kina de mais importante foi o marketing mesmo, né? Porque, enfim, meus pais e meu tio, eles nunca foram muito ligados nessa área, né? E hoje em dia não existe um restaurante sem marketing, então desde a época que eu entrei, que já faz mais de 10 anos, eu construí bem o marketing não só de redes sociais, mas melhorarei nossa comunicação, de trazer novos produtos, sempre se adaptando ao comportamento do consumidor.
E o mais recente foi a área de recursos humanos, que eu contratei uma consultoria e a gente permaneceu, então deu para criar vários projetos legais.
Quais habilidades você precisou desenvolver para assumir um papel mais central nos negócios?
Eu sempre fui uma pessoa muito empática de entender o lado de todo mundo e de escutar. Mas ao mesmo tempo que eu sempre fui assim, isso me faz ser uma pessoa que não gosta de conflitos, enfim, não gosta de discussões. Então acho que o que eu mais precisei desenvolver nesse período de Kina é ter um pulso mais firme, de fato entrar nos conflitos e falar a minha opinião e o que eu acredito.
Acho que foi isso que eu mais precisei desenvolver, até porque são muitas pessoas, dentro da operação são mais de 50 funcionários, são três sócios, então precisei desenvolver esse pulso firme.
Hoje, qual a sua atuação especificamente dentro da operação do Kina? O que tem somado de aprendizado nessa experiência?
Hoje no Kina minha mãe fica mais na parte de gestão que é de financeiro e eu fico mais nessa parte operacional, eu fico rodando as operações, eu sempre estou lá. Enfim dentro da operação mas eu fico muito à frente do marketing e eu sou a pessoa que estou em contato com a pessoa do Recursos Humanos também para colocar os projetos para a frente.
Pensando nos próximos anos, quais são os planos para o Kina e que caminhos você gostaria de ajudar a construir dentro do grupo?
Nós queremos crescer e estar presentes nos principais é shopping de fortaleza e regiões próximas, e acho que algo muito importante hoje devido a tantos desafios é deixar todos os processos ainda mais redondo e as áreas também, então crescer de uma forma muito organizada.
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Instagram: @kinarestaurante