
A fortalezense Gaia Tavares Machado, conhecida como Gaia Vivá, transformou sua paixão pela cozinha em uma missão de vida que já dura 12 anos. Sua jornada profissional é o reflexo de uma história que começou na infância, nutrida pelas memórias afetivas de acompanhar sua mãe, Mércia Tavares, e sua avó, Ritta Machado, no preparo das refeições.
De sua avó, Gaia herdou o valor do alimento feito “do zero”, observando-a estender massas frescas e preparar compotas, aprendendo desde cedo o valor afetivo da comida, que ainda hoje é o centro das celebrações familiares.
O início da sua trajetória como uma culinarista que incentiva a comida saudável e de verdade ganhou força na adolescência, quando ela decidiu tornar-se vegetariana e precisou aprender a preparar a própria comida.
Hoje, com formação de Natural Chef e graduanda em Nutrição, ela foca seu trabalho em uma culinária à base de plantas, funcional e inclusiva, que une sabor e saúde. Por meio de suas oficinas e da sua atuação, Gaia busca proporcionar autonomia e bem-estar aos seus alunos e seguidores.
Leia a entrevista completa abaixo.
Sabores da Cidade: Gaia, quando começou a sua relação com a culinária? Houve um momento específico em que você percebeu que queria seguir esse caminho como profissão?
Gaia Vivá: Já trabalho com culinária saudável há 12 anos. Desde pequena acompanhava minha mãe e avó na preparação das comidas, adolescente resolvi virar vegetariana e, assim, tive que começar a preparar minha própria comida.
Sempre procurei cuidar bem da saúde e isso foi para a cozinha também. Iniciei aprendendo a cozinhar para mim e acabei levando isso para o trabalho, para ensinar as pessoas a comer melhor.
Em um determinado momento da minha adolescência, quando ainda não tinha tomado consciência da importância da alimentação para a saúde, tive várias crises recorrentes de infecção na garganta e sempre acabava tendo que tomar antibiótico. Até o dia que meu pai falou que se eu não melhorasse a alimentação, iria ficar sempre nesse ciclo, até que os antibióticos iriam começar a ter seu efeito reduzido, teria que ir pra outros mais fortes.
Aí mudei minha alimentação e passei anos sem ter nenhuma inflamação na garganta, nem outros problemas de saúde. Então eu vi que realmente a alimentação tem um impacto muito grande na saúde de forma geral. Fui estudando e praticando, fiz alguns cursos de culinária saudável e acabou aparecendo as demandas de trabalhos nessa área.
A culinária sempre fez parte da sua infância ou da sua família? Quais memórias afetivas mais influenciaram na sua trajetória como chef?
Com certeza. Minha avó cozinhava muito. E era daquela época que fazia tudo do zero. Via ela fazendo macarrão, estendendo os fios de massa fresca, descascava a batata para fritar para as crianças, doces, compotas. Fazia comidas deliciosas, e como a família é grande, todos os encontros giravam em torno da comida. A comida é uma grande celebração em todo encontro familiar até hoje.
Existe algum ingrediente ou técnica que represente bem sua identidade na cozinha? E por quê?
Eu tenho trabalhado há muito tempo com culinária à base de plantas. É o que ensino nas minhas oficinas. Comidas super saborosas e saudáveis, sem ingredientes de origem animal ou glúten, por ser uma culinária funcional e inclusiva. A culinária funcional preza pela inclusão.
Ao invés de limitar pessoas que não poderiam comer determinada receita, fazemos receitas que todos podem comer. Tanto quem come de tudo, quanto quem tem alguma alergia, intolerância ou porque escolhe não comer produtos de origem animal. De ingredientes que não podem faltar na minha cozinha: vegetais e temperos naturais!
Você atua como “Natural Chef”. Como foi essa formação e nasceu esse posicionamento? E o que ele representa para você?
Fiz a formação na escola natural chef em 2023. Foi um complemento maravilhoso ao que eu já fazia. Aprendi técnicas específicas para tornar minha cozinha cada vez mais inclusiva. Quem se forma nessa escola, se torna natural chef, um profissional com habilidades de culinária funcional e saudável, unindo sabor e saúde no prazer de comer bem!

Como profissional, existe uma Gaia antes e depois da formação para atuar como Natural Chef? O que mudou na sua culinária?
Com certeza. Abriu muitas possibilidades. Eu gosto de estudar e sou uma eterna aprendiz. Gosto de entender as teorias por trás das práticas e aprendi muito nessa formação, saí com a cabeça cheia de ideias.
Para mim, ser natural chef é conseguir proporcionar as pessoas que chegam até meu trabalho uma forma prática, saudável e saborosa de cuidar da saúde através da alimentação.
Em que momento a alimentação saudável deixou de ser apenas um interesse e passou a ser uma missão profissional?
Desde 2014 quando comecei a trabalhar como responsável pela cozinha da Jornada de Desintoxicação Orgânica, que é um retiro do qual faço parte da equipe e que realizamos desde 2013. São sete dias focados em descanso, pausa e desintoxicação do corpo, mente e emoções através de culinária saudável e funcional, terapias, acompanhamento médico, yoga e muito banho de mar.
Como a sua formação em Nutrição, que está em andamento, tem transformado sua forma de enxergar e praticar a culinária?
Tem agregado muito aprendizado. Enquanto chef, dou cursos de culinária e vejo que muitas pessoas querem realmente comer melhor e não sabem como. Nas oficinas ensino a parte prática, cursando nutrição, estou aprendendo a parte teórica, do porquê é tão importante ter atenção e cuidado com o que comemos. Unindo os dois, creio que estarei muito mais apta a ajudar meus pacientes a realmente alcançar suas metas de cuidar da saúde comendo super bem.
Como funcionam suas oficinas de culinária saudável para o dia a dia? O que os participantes podem esperar dessa experiência?
A oficina tem uma parte teórica, onde falo um pouco sobre a culinária funcional e principalmente sobre organização e planejamento, para que seja fácil de colocar em prática e manter uma alimentação saudável de verdade.
Depois tem a parte prática: uma aula show onde ensino receitas coringas, com técnicas fáceis e práticas, de forma que as pessoas saiam com uma base culinária que lhe permita expandir para outras receitas e autonomia na cozinha. E no final tem um almoço delicioso que compartilhamos todos juntos.
Quem for pode esperar muita informação importante, um bom papo, aprendizado e compartilhamento de uma deliciosa refeição. Todo mundo sempre sai muito satisfeito.

Qual é o perfil das pessoas que procuram suas oficinas e quais são as principais dúvidas ou dificuldades que elas trazem?
Geralmente são mais mulheres que têm dificuldade em manter uma alimentação saudável e sentem necessidade de uma formação que ajude a organizar as práticas de cozinhar ou até mesmo que não sabe nada e estão querendo colocar a mão na massa.
Às vezes são pessoas que tem alguma condição de saúde, como síndrome do intestino irritável, alergias e intolerâncias, endometriose etc. Mas também chegam homens que querem aprender a cozinhar melhor, até crianças aparecem de vez em quando. Acho massa, quem se interessa desde cedo pela alquimia da cozinha!
Por fim, quem é a Gaia quando não está na cozinha? O que gosta de fazer no tempo livre?
Sou uma eterna aprendiz, gosto muito de ler e estudar. De curtir meus filhos, minha família, cuidar do meu corpo e compartilhar momentos com amigas e amigos. Saúde é uma coisa muito fina, que temos que cuidar bastante, mas estamos de passagem, a vida passa rápido. E aproveitar cada momento é muito importante.
Pitadas de Gaia

O que não pode faltar na sua cozinha?
Vegetais, leguminosas e temperos naturais.
Qual receita de família é marcante para você? De quem é?
Minha vó deixou vários cadernos de receita, e me marcou muito as sobremesas, como pavê e bolos, que sempre tinha um toque de rum.
Uma música para ouvir cozinhando?
Menina, da banda Lamparina.
Livro predileto? Não precisa ser de gastronomia.
Um Defeito de Cor da Ana Maria Gonçalves.
Para você, quais os sabores que identificam Fortaleza?
Comida de rua! Desde a tapioca da esquina, ao mercado do peixe na beira mar, o pastel com caldo de cana do centro, ou os pratinhos das praças.
Um lugar em Fortaleza fora da cozinha?
A praia!