Crônica: Tempo bonito

Por Italo Borges
Especial para o Sabores da Cidade

Italo Borges

Para nós, cearenses, tempo bonito é o nublado, fechado, sem sol e com aquela chuva pronta a precipitar a qualquer instante. Nada contra um belo dia ensolarado de verão ou primavera, mas pra gente o tempo bom é o chuvoso. Afinal de contas, somos a capital que teve a proeza de vaiar o sol por “atrapalhar” o tempo bonito que se formava sobre a Praça do Ferreira no início do século passado. Inclusive, aposto que a vaia deve ter sido “ieeeeei”.

Não saberia, caro leitor, te precisar as razões para esse nosso padrão de beleza climática, mas presumo que talvez seja por conta de nossa raiz sertaneja e as intempéries que a seca nos legou ao longo de nossa história. Um tempo chuvoso foi e continua a ser a esperança de uma colheita farta, onde se possa obter o feijão, a mandioca, a cana de açúcar, enfim.

Chuva é a alegria da nossa região, posto que é signo de fartura, colheita e vida para uma terra tão equatorial e semi árida como a nossa. Um dia chuvoso pode ser polissêmico, mas a mim remete à fogão à lenha com aquela panela de milho verde. Uma riqueza do sertão que se transforma em uma infinidade de sabores e texturas que vão do milho na espiga com sal e manteiga ao mungunzá, canjica e a queridinha pamonha.

Ah… o cheirinho de terra molhada e a reunião de adultos e meninos no alpendre a debulhar o feijão que maduro vai para a panela com “toicim”; verde vai com nata e queijo.

Quanto a vocês, a que esse tempo bonito remete?

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