O que cabe dentro da expressão “Cozinha da Gente”?

No Festival Costume Gourmet, chefs, cozinheiros, produtores e visitantes compartilharam memórias, afetos e sabores para definir o que reconhecem como parte da própria cozinha

Uma receita pode carregar muito mais do que ingredientes e técnicas. Pode lembrar uma pessoa, um lugar, uma reunião de família ou até um período da vida. Foi partindo dessa relação entre comida e memória que o Sabores da Cidade levou ao Festival Costume Gourmet uma pergunta aparentemente simples: afinal, o que é a Cozinha da Gente?

As respostas reunidas durante o evento apontaram para diferentes caminhos. Para o chef franco-brasileiro Claude Troisgros, um dos nomes mais reconhecidos da gastronomia no Brasil, a definição pode estar em uma escolha bastante pessoal: “Cozinha da gente é meu prato favorito, jabá com jerimum”.

O chef também recebeu um exemplar de “O Sabor das Ruas de Fortaleza: Um Pratinho Cheio de Cultura Alimentar”, de Izakeline Ribeiro, publicação que reúne histórias e sabores da gastronomia de Fortaleza. O livro está disponível para compra em pratinhoemfortaleza.com.br. 

Já para a chef e proprietária do Restaurante da Zena, referência na gastronomia cearense, Zena Bezerra, a relação está diretamente ligada às lembranças da comida feita em casa. “Eu vejo assim a comida caseira, comida que a minha mãe ensinou”, explica.

As diferentes respostas mostram que falar sobre gastronomia também é falar sobre experiências. O que chega ao prato pode trazer consigo lembranças de infância, pessoas importantes e modos de fazer aprendidos dentro de casa. Ingredientes, preparos e sabores também funcionam como formas de preservar histórias e transmitir conhecimentos entre diferentes gerações.

Durante as conversas realizadas no festival, também aparecem referências à família, à amizade, à simplicidade e ao conforto. Para alguns participantes, a cozinha está naquilo que reúne as pessoas; para outros, em um sabor específico capaz de despertar uma lembrança ou na comida que acompanha a vida cotidiana.

A cozinha reconhecida como própria por cada pessoa é formada pelas experiências que ela acumulou ao longo da vida. Pode estar em uma preparação aprendida com a mãe, em um prato favorito, em um ingrediente do território ou em uma receita que atravessa gerações.

Ao reunir diferentes perspectivas durante o Festival Costume Gourmet, o Sabores da Cidade propõe olhar para a gastronomia também como território de memória, identidade e afeto. Antes de ser apenas aquilo que se coloca à mesa, a comida também pode contar de onde viemos, quem nos ensinou a cozinhar e quais histórias escolhemos preservar.

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