Entrevista: Alfredo Aghina, o novo mestre cervejeiro da Turatti chega para inovar

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Direto do Rio de Janeiro para Fortaleza (CE), Alfredo Aghina foi convocado por Marcos Guerra (mestre consultor) e por Lissandro Turatti (proprietário da rede e da cervejaria) para implementar inovações e melhorias na Cervejaria Turatti. Antenado com as novidades do mercado, o novo mestre cervejeiro da Turatti, chega na casa para agregar novas cervejas à carta. Alfredo gosta de ir além do eixo Alemanha, Bélgica e Estado Unidos, países de escolas cervejeiras tradicionais e experimentar o que o resto do mundo tem a oferecer. “Eu gosto de pegar um pouco de tudo que aprendi no dia a dia de mestre cervejeiro e juntar com aquilo que pesquiso e troco com os meus colegas do meio”, explica Aghina que chega 100% focado na Cervejaria Turatti. Bom para o cearense, que já pode esperar boas novidades com essa aquisição no time da casa.

Alfredo Aghina. Foto: Divulgação Turatti

Alfredo, como você começou no universo cervejeiro? Qual sua formação? Pode contar um pouco sobre sua trajetória?

Eu sou um cervejeiro caseiro de formação, nunca vou abandonar minhas raízes como um experimentador empírico, mas tenho background de laboratório e grandes cervejarias.

Como foi chegar a Fortaleza e deixar o Rio?

Estou gostando muito da cidade, principalmente da gastronomia que além de excelente é bem acessível. O Lissandro e todos da Turatti me receberam muito bem, o que facilita bastante a mudança. Fico animado de poder participar ativamente dessa transformação cervejeira que tem acontecido na cidade.

A mudança de mestre cervejeiro vai mudar o conceito da cerveja Turatti? Novas receitas e cervejas serão ofertadas pela rede?

Não quero decepcionar o cliente assíduo da Turatti, vou entregar o produto que ele está acostumado, fazendo um padrão de qualidade ainda mais elevado e claro que entregar algumas cervejas inovadoras para um novo público da Turatti que queremos alcançar. As colaborações do Marcos Guerra com o nosso processo fabril e criativo também têm sido essenciais para crescermos de forma exponencial.

Já aconteceu algo inusitado na sua trajetória como mestre cervejeiro?

A vida de cervejeiro sempre tem acontecimentos bem inusitados, mas poder entregar um produto de qualidade excelente e ouvir o feedback positivo do cliente é sempre surpreendente e gostoso de receber. Espero receber esse retorno dos clientes da Turatti e daqueles que virão a frequentar a cervejaria.

Quais os profissionais do mundo cervejeiro que você admira e/ou te inspiram? Por quê?

São tantos que não vou conseguir listar de forma sucinta. Quem quiser saber pode me chamar para tomar uma cerveja que falo de alguns que devem ser conhecidos.

Você conhece o atual cenário do universo cervejeiro cearense? Já experimentou outras cervejas de produção cearense?

Claro, o Ceará tem feito algumas cervejas bem interessantes. Já experimentei algumas da 5 Elementos e da Capitosa, estou bem curioso para provar o que o pessoal da Brewstone, Donkey Head, All grain, entre outras estão aprontando para assim fortalecermos a cena cervejeira local, sempre apresentando o que há de melhor para o consumidor cearense.

Como é o dia a dia do seu trabalho como mestre cervejeiro da Turatti?

Estou implementando inovações, fazendo um mapeamento e organização fabril para o produto poder sair sempre com a melhor qualidade. Claro que ninguém consegue trabalhar sozinho e o pessoal no chão de fábrica tem sido essencial para colaborar com as melhorias e profissionalização da nossa produção.

Qual foi seu maior desafio como profissional?

Meu maior desafio foi realmente trabalhar em todos os tamanhos de cervejaria e conseguir me adaptar e aprender muito com essas experiências.

Já conheceu algum prato cearense típico? Já tem algum restaurante na cidade que gostou muito?

Olha, não os conheci aqui e não tenho certeza nem se eles são originalmente do Ceará, mas a qualidade do baião de dois e do queijo coalho daqui são muito superiores aos do Rio e estou em busca de um sarapatel regional também. Eu sou um fiel adepto da comida de boteco, então fugindo do clubismo da comida invejável que a Turatti tem, gostei muito dos petiscos e do ambiente do Mormaço.

O que você considera que é ruim no mundo cervejeiro e o que é bom?

O ruim e o bom no mundo cervejeiro estão intrinsecamente conectados. O ruim no mundo cervejeiro é essa falsa concepção de que a receita é um segredo de estado que nunca pode ser compartilhado, então muitos olham por cima do ombro tentando ser melhor que a concorrência. O bom no mundo cervejeiro é a troca e a hospitalidade alegre que todo cervejeiro tem, você sempre se sente querido e otimamente recepcionado, seja na casa, no bar ou em um encontro cervejeiro, seja você cervejeiro ou não.

Independente da Turatti ou qualquer outro trabalho em outras cervejarias, qual sua essência ou marca registrada nos seus trabalhos?

Gosto sempre de fazer cervejas leves, fáceis de serem degustadas, seja para o beergeek limpar seu palato entre uma cerveja mais complexa e outra, ou para que o leigo que está começando agora no mundo cervejeiro possa se surpreender.

Pitadas do mestre:

Alfredo Aghina. Foto: Divulgação Turatti

O que não pode faltar na sua cerveja?

Sabor! Cerveja tem sempre que ser gostosa.

Qual receita de família é marcante para você? De quem é?

Sendo de família mineira e italiana, tem várias. O arroz doce da minha avó Rosinha, o pavê da minha avó Anna Vera e praticamente tudo que a minha mãe cozinha, desde bobós na moranga ao brownie molinho com casca crocante.

Uma música para ouvir trabalhando?

No momento, tenho ouvido muito a banda inglesa Jungle.

Livro predileto? Não precisa ser de gastronomia:

Kitchen Confidential do Anthony Bourdain

Um lugar em Fortaleza fora da cozinha, que já conheceu ou gostaria de conhecer?

Adorei conhecer o espaço cultural do Dragão do Mar e estou animado para ir ao mercado São Sebastião.

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