
Bia Araújo soube que a gastronomia seria o seu lugar no mundo desde os 16 anos, quando ingressou na faculdade. O afeto pela culinária veio muito antes disso, quando ela e suas irmãs, Carol, Gabi e Bebel, além de sua mãe, Anny, compartilhavam momentos na cozinha e na mesa. Ainda na adolescência, aos 13, sua essência empreendedora foi surgindo aos poucos, enquanto vendia cachorro-quente nos intervalos de um curso preparatório para a residência de medicina, no Maranhão. De lá para cá, ela se aventurou por muitas versões de si: é empreendedora, personal chef, colunista e apresentadora.
Nascida e criada no Maranhão e amadurecida no Ceará, como ela diz, Bia é fundadora da Casa Nupê, cafeteria de destaque em Fortaleza, que acumula algumas indicações no prêmio Melhores Sabores da Cidade na categoria “Aquele Café”. Após um período explorando outros projetos, a sua cafeteria surgiu quando ela sentiu que deveria fincar raízes, consolidando-se como um refúgio de identidade e autenticidade. E o reconhecimento veio rápido: com apenas quatro meses de portas abertas, em 2019, o negócio já recebia sua primeira indicação ao prêmio.
Na caminhada, Bia aprendeu que o sucesso de um negócio exige presença constante, olhar atento e muita coragem. Nesta entrevista, a rotina de uma profissional que se define como um pouco analógica, gerenciando com cadernos e uma rede de apoio sólida as funções de empresária, colunista e apresentadora do ONPM (Os Nordestinos pelo Mundo) na Cozinha.
Ela compartilha como o ato de cozinhar diariamente para clientes, amigos e família é o combustível para sua inovação e como sua vivência no programa reforça a crença no Nordeste como uma potência gastronômica imbatível em cores e sabores.
Leia na íntegra abaixo.
Como começou sua história com a gastronomia?
Aos 16 anos entrei na faculdade de Gastronomia e sabia que ali era meu canto, recebi apoio dos meus professores que hoje são meus colegas e amigos de profissão. Sempre me deixaram livre pra criar, pra me expressar, nas aulas eu sempre conseguia um ingrediente ali outro acolá que não estavam na programação, sempre me permiti fazer da minha faculdade um laboratório e utilizar de todo o recurso que eu tinha disponível.

Sua trajetória reúne gastronomia, empreendedorismo e comunicação. Em que momento você percebeu que esses caminhos poderiam caminhar juntos?
A Gastronomia quase que essencialmente pede por empreender, por ter o seu próprio lugar para chamar de seu e para servir os nossos, então acredito que isso já é venda casada (risos). Compre um e leve o outro! A comunicação é o brinde disso tudo, pois eu sempre fui expressiva, e quando é pra falar sobre cozinha, comida, mesa, alimento, eu me sinto tão à vontade e tranquila que flui, e acho que algumas pessoas avistaram nisso uma oportunidade pelo caminho e eu embarquei, fui e fui comunicando!
Como nasceu a Casa Nupê? Qual era o sonho por trás do negócio antes mesmo de ele abrir as portas?
A Casa Nupê sempre foi um chamado, uma inquietação por dentro, precisava migrar o laboratório da faculdade para algum canto, e depois de três anos formada e trabalhando igual doida por esse mundão a fora, chegou a hora de fincar raízes. Um espaço recheado de identidade, de autenticidade, de muita verdade e muita comida boa.
Em 2025, a Casa Nupê foi indicada ao prêmio Melhores Sabores da Cidade na categoria “Aquele Café”. O que esse reconhecimento representa para você e para a equipe?
Em 2019 foi a primeira indicação do Nupê ao prêmio, ali, naquele ano a “coisa ficou séria”, pois nunca imaginávamos que com quatro meses de abertos seríamos vistos e reconhecidos. Ao longo dos anos tivemos outras indicações, a de 2025 foi super representativa pois mudamos de local, aumentamos a operação e estávamos a todo vapor, e querendo essa indicação, mas nada de vaidade e sim mais responsabilidade para lidar com nosso trabalho e nossos clientes.
Empreender no setor de gastronomia é um grande desafio. Quais foram os principais obstáculos que você enfrentou e quais aprendizados eles deixaram?
No dia que eu descobri que coragem era mais importante que dinheiro, eu entendi porque empreender é desafiador. Os principais obstáculos sem dúvidas foram e ainda são os financeiros, a pandemia e as consequências dela que respingam no comércio até hoje.
Os desafios são enormes mas todo dia tem aprendizado e tem lição, e a maior delas é que o negócio só cresce com o dono perto, dentro, de olhar atento e generoso.


Como tem sido explorar o lado personal chef ? E Como essa experiência influencia a forma como você inova na cozinha?
Eu cozinho todos os dias, para clientes, para amigos, para família, para eventos, para testes. Só se aprende, só melhora e só se cria se exercer a criatividade e ampliar o repertório, então essa rotina acelerada em volta da cozinha é a grande responsável pela gastronomia autêntica que eu busco ter.
Como apresentadora do ONPM na Cozinha, você conversa com diferentes histórias e culturas alimentares do Nordeste. O que essa experiência tem ensinado sobre a força da gastronomia nordestina?
Não existe comida melhor que a do Nordeste não. A gente tem cor, tem sabor, tem textura, diversidade e temos paladar para comer as coisas mais curiosas do mundo, então com toda a certeza o Nordeste é uma potência gastronômica e está sendo extremamente bem representada pelos grandes e talentosos cozinheiros que estão nos fogões por aí.
Como você equilibra a rotina de empresária, chef, colunista e apresentadora? Existe alguma dessas funções que alimenta ou inspira as outras?
Eu sou metódica, organizada e analógica (risos). Então está sempre tudo escrito, de preferência em caderno sem pauta! Um eterno equilibrar de pratos que sem dúvidas eu só conseguiria pois a minha rede de apoio é das melhores, tanto em casa, quanto na Casa Nupê, tenho gente que me dá a mão e não solta.
Quando estou cozinhando automaticamente já penso sobre a coluna, e sempre que estou programando as receitas do ONPM eu sigo trabalhando minha criatividade. E elas são um grande ecossistema, se alimentam e se cuidam pra eu não pirar e ser feliz com tudo que sou!

Se pudesse deixar uma mensagem para mulheres que sonham em empreender, criar na gastronomia ou transformar uma paixão em profissão, qual seria?
Divirta-se no processo, celebre todas as conquistas do caminho, se cerque de quem preencha suas fraquezas e entenda de funções que você não domina!
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