
Para a fortalezense Roselly Bruna a coragem de tentar, mesmo com dificuldades, sempre está presente. Empreendedora, ela vende pratinho – típica comida de de rua de Fortaleza – no bairro Planalto Ayrton Senna. Mas não é de agora que ela investe no próprio negócio.
Por um ano manteve uma pequena padaria, mas a falta de aporte financeiro dificultou a continuidade. Assim, ela migrou para o ramo da estética, onde trabalhou por quatro anos em um loja na capital cearense. Quando esse ciclo foi encerrado, ela reencontrou em si a vontade de empreender, que até então estava ali, apenas adormecida. Em 2024, as vendas de pratinho iniciaram.
“E em meio a tantas opções, escolhi o caminho da culinária. O que me fez fazer essa escolha, é ter o prazer de ver as pessoas comerem a minha comida e ter o sentimento de felicidade, aconchego”, detalha Roselly.
No primeiro momento, a venda da iguaria ocorria na calçada da casa de sua mãe. Nos tamanhos pequeno e grande, os pratinhos carregam tradição e são oferecidas as clássicas opções: creme de galinha, vatapá de frango, calabresa acebolada, arroz e salada de maionese, além de farofa e batata palha.
Com esse novo objetivo, ela buscou qualificação para “melhorar ainda mais”. Nesse momento ela conheceu a Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco (EGSIDB), onde cursou Cozinha Quente.
“Todos os dias, durante quatro meses, estudei os princípios da gastronomia brasileira e da cultura alimentar, uma viagem gastronômica por outros países sem ao menos sair de Fortaleza”, conta.
Conheça a trajetória de Roselly Bruna e leia a entrevista completa abaixo.
Sabores da Cidade: Antes de entrar na gastronomia, você trabalhava com estética. Como era essa fase da sua vida e o que fez você começar a procurar uma nova fonte de renda?
Roselly Bruna: A área da estética, na qual atuei por quatro anos, foi uma descoberta também em minha vida porque jamais imaginei um dia trabalhar nessa área da beleza. Mas, após meses de treinamento e dedicação pude ter certeza que, tudo na vida da gente, basta termos foco e nunca desistir dos objetivos.
A transição de uma profissão para a outra, que relativamente são bem distintas, foi mais pelo fato de não querer no momento trabalhar para nenhuma empresa, pois na empresa na qual passei 4 anos, neste período, não havia a possibilidade de ter férias, pois não era CLT, estava a trabalhar com o contrato de prestadora de serviços.
E movida pelo incentivo do marido e familiares, que sempre amavam comer minha comida, surgiu a ideia de vender pratinho na calçada mesmo. E foi no final de julho para início de agosto de 2024, que dei o ponta pé inicial.
Por que decidiu vender pratinho? O que fez você perceber que esse tipo de comida poderia se transformar em uma oportunidade de negócio?
Foi pensado também a possibilidade de vender pastéis, mas quando parei para pensar e estudar a região na qual nasci e me criei, percebi que, a escassez de venda de pratinho, era grande. Pois, aqui próximo não havia ninguém vendendo comida. Não no formato pratinho.
O começo foi na calçada da casa da sua mãe, justamente na casa onde você cresceu. Como foi transformar um espaço tão familiar em seu primeiro ponto de venda?
Desafiador, digamos que até mesmo, um tiro no escuro, porque inicialmente, me bateu um certo medo, sabe? Medo dos meus clientes não gostar do meu tempero, medo de ser um fracasso total.
Porque meu tempero, conta muito e carrega muitos traços da cozinha de minha mãe, e de meu pai, que por muitos anos trabalhou como cozinheiro. No famoso Ronce, na época.

No início, você cozinhava em casa e colocava a comida na calçada. Como era a estrutura naquele começo e o que mudou desde então?
Inicialmente com poucas panelas e em cima de uma mesinha estreita, emprestada pela minha mãe. Porque era a única mesa mais bem aparente, bonita, para me auxiliar com as panelas.
E a ideia de sairmos da calçada para um ponto comercial veio quando chegou o inverno. Como eu iria dar continuidade as vendas, se era ao ar livre? Então, aproveitando um ponto comercial que era basicamente um cômodo da casa de minha mãe, na qual meu pai utilizava para guardar inúmeras coisas, tiramos tudo de dentro, limpamos e pintamos. Mas, inicialmente, pensando em proteger das futuras chuvas que fossem vir. Trocamos a mesa que era pequena, por uma maior, mas ainda colocando a mesa na calçada.
Logo em seguida, conseguimos fazer um balcão para auxiliar com as panelas e poder colocá-las sobre o balcão. Hoje possuo dois conjuntos de mesa com cadeira. Estou sempre na intenção de melhorar esteticamente para conseguir um ambiente cada vez mais adequado e harmonioso para meus clientes.
Qual é a parte mais difícil de administrar o negócio hoje? É a produção, as compras, o dinheiro, o atendimento, a divulgação ou outra coisa?
Hoje, para um microempreendedor, que normalmente é quem faz tudo, o fator capital de giro, financeiro, divulgação e poder adequar-se ao meio das entregas e com isso a dificuldade de administrar o tempo, para todas estas funções. Para mim, hoje, esses são os fatores mais difíceis.
Qual foi até agora a maior conquista que o pratinho proporcionou para você? O que mudou na sua vida desde que você começou a empreender com a comida?
A maior conquista, sem falar das materiais, foi a minha felicidade, em fazer o que amo, que é cozinhar.
E agora, falando de conquistas material foi conseguir comprar uma geladeira para me auxiliar no armazenamentos dos insumos e dos pré- preparos, um armário de cozinha, pois, não havia armário em minha casa.
A minha saúde mental melhorou demais, porque acredito que não há nada melhor do que fazer o que gostamos, o que amamos. Costumo dizer que a mente ficou mais leve.
Você entrou na Escola de Gastronomia Social, na turma de Cozinha Quente de 2025.2. O que te motivou a buscar o curso depois de já estar vendendo seus pratinhos?

Apesar de já estar trabalhando com o pratinho, havia travas em mim mesma, que precisava destravar. Precisava aprender a manusear com mais precisão facas, insumos. Porque na área da gastronomia, todo dia aprendemos algo diferente, a cozinha está diariamente evoluindo, e precisamos evoluir junto.
Mas, precisava de um norte, de como fazer acontecer, de como fazer render os insumos, como melhorar e sofisticar mais ainda cada alimento. Aprender como precificar, ter noção mais didática e prática da culinária brasileira, no modo geral. Tudo isso me motivou a querer descobrir o meu diferencial.
O que você aprendeu na Escola que conseguiu levar diretamente para o seu negócio?
Novas possibilidades de meus clientes poderem apreciarem um alimento rico em nutrientes, deixando de lado temperos industrializados.
Logística de planejamento semanal, que me facilita demais o decorrer dos dias. A implantação de novas opções no cardápio, durante a semana. Porque aprendemos a cultura alimentar de outras regiões do Brasil e que fazendo a releitura desses pratos, conseguimos trazer para nossa região e abranger com mais novas possibilidades o nosso pratinho.
Alguns desses exemplos são o vatapá de atum, torta de frango, lasanha bolonhesa, mas com a própria massa caseira, que eu mesma preparo, com as técnicas de massas frescas que aprendi na Escola.
Porque o intuito dos professores na escola é nos ajudar a ter uma visão, além do que já estamos acostumados. É sair da caixinha e se permitir inovar, com o que já existe.
Saiba mais
Instagram: @saboresdacasa_06
Endereço: R. 31 de janeiro, 450. Planalto Ayrton Senna
Funcionamento: Terça-feira a sábado, das 18h30 ás 22h
Preço do pratinho: Pequeno é R$ 10 e o grande é R$ 14