Pratinho é patrimônio cultural de Fortaleza?

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Pratinho da Tia Célia - Foto: Íris Imagem

Oficialmente, ainda não. Mas, no coração dos fortalezenses esse modo de servir comidas típicas tem lugar cativo durante todo o ano e nesse período junino ganha mais destaque

Foto: Sabores da Cidade

O “pratinho” é uma comida de rua comum em Fortaleza que consiste em no serviço em cumbucas de plástico com pratos típicos da culinária do sertão. A composição pode variar com arroz ou baião de dois, paçoca ou farofa, creme de galinha ou vatapá, alguma salada, como salpicão ou repolho refogado, com os possíveis extras: carne de sol desfiada, calabresa acebolada, entre outros pratos típicos do sertão, como galinha caipira e carneiro guisado.

Há poucas referências sobre qual seria a origem exata do pratinho. As memórias recentes dão conta de que era somente uma forma de servir comidas típicas no período das festas juninas. Sendo uma comida de rua, as pessoas costumam preparar os pratos em casa e levar as panelas cheias para as barracas em praças ou festas juninas e até mesmo para a calçada de casa. Com o passar dos anos, as barracas passaram a não se desfazer com o término das festas e a comida, antes típica do período, e se tornou presente durante todo o ano, transformando o “pratinho” em comida presente no cotidiano das ruas das praças e ruas de Fortaleza e outras cidades do Estado. Dessa forma, “pratinho” se transformou em comida afetiva, gerando um sentimento de pertencimento.

Não conseguimos datar ainda o momento em que o pratinho ganhou esse lugar de comida afetiva e deixou de ser preparado somente no período de festas juninas. No entanto, vale registrar que ele ganhou ainda mais espaço e reconhecimento com o advento de perfis que ressaltam a nossa cultura em redes sociais. Antes visto apenas como parte de hábitos populares, o pratinho agora ganha destaque também nos meios de comunicação e redes sociais, especialmente nesse período.  

Em Fortaleza, o pratinho está presente durante todo o ano em praças e calçadas nos mais diferentes bairros. As praças que reúnem outras opções de comidas acabaram ficando mais conhecidas e podemos destacar as praças da Cidade 2000, do Conjunto Polar, no bairro Vila Velha; a que é conhecida como praça da MRV, na Maraponga; Argentina Castelo Branco, no bairro de Fátima. Além disso, neste período junino, confeitarias, padarias e restaurantes também produzem seus pratinhos, além de já estarem disponíveis também em aplicativos de entrega.

O fato de Fortaleza ser uma metrópole onde as tradições do sertão, da serra e do litoral podem ser encontradas em abundância nos menus de restaurantes, nas feiras e mercados e até mesmo nos supermercados, pode dificultar a identificação de elementos dos hábitos alimentares próprios e há uma possibilidade de que o “pratinho” seja capaz de representar esse diferencial, por caracterizar exatamente esse hábito alimentar de combinar comidas do sertão, da serra e do litoral. Uma das composições, por exemplo, pode vir com vatapá de frango ou de camarão acompanhado de paçoca de carne de sol e baião de dois. O pratinho só tem diminutivo no nome. Na verdade, sempre cabe nele muito mais do que a gente espera.

*texto com trechos do meu projeto de pesquisa "Pratinho": de renda extra à comida de rua em Fortaleza
Pratinho da Tia Célia – Foto: Sabores da Cidade

Tem matéria sobre pratinho no Diário do Nordeste com nossa participação. Clica aqui e confere!

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