
A história de Renato Brasil com o vinho não começou de uma forma simples e despretensiosa, entre os estudos de Química na Universidade Federal do Ceará (UFC) e as degustações de vinhos de garrafão com os amigos.
No entanto, foi o encontro com os rótulos alemães nos anos 2000 que acendeu a curiosidade, transformando um interesse casual em um caminho de descobertas sobre uvas e regiões do qual ele nunca mais quis voltar.
Essa paixão ganhou novos horizontes quando Renato, atuando como técnico administrativo na Gastronomia da UFC, percebeu que o vinho era um vasto campo a ser explorado.

Com coragem e determinação, ele buscou formação profissional no Rio Grande do Sul, retornando ao Ceará não apenas com conhecimento, mas com o talento reconhecido: em 2010, conquistou o primeiro lugar em um concurso da ViniPortugal.
Hoje, como presidente da Associação Brasileira de Sommeliers no Ceará (ABS-CE), Renato dedica seu coração a fortalecer a cultura do vinho em Fortaleza. O profissional é, também, escritor em um jornal local, onde aproveita o espaço para “gerar visibilidade para o vinho, inspirar a curiosidade”.
Leia a entrevista completa abaixo e saiba mais sobre a trajetória de Renato Brasil.
Sabores da Cidade: Como começou a sua relação com o vinho e o que despertou seu interesse por esse universo?
Renato Brasil: Uma forma nada erudita, eu estudava Química na UFC e frequentemente apareciam momentos de degustação de vinhos de garrafão, mas logo depois eu conheci uns vinhos alemães em meados dos anos 2000, eu fui vendo que haviam diferenças significativas de vinhos por cada região, comecei a ler um pouco sobre uvas, países e foi um caminho sem volta.

Quais foram os principais marcos da sua trajetória até se tornar sommelier profissional?
Um marco foi entrar no curso de Gastronomia da UFC como técnico administrativo e ver uma área de estudos que poderia ser explorada, resolvi fazer um curso de sommelier profissional no Rio Grande do Sul.
Quando cheguei a Fortaleza, já tinha oportunidade de trabalho como sommelier, já fiz uma carta de vinho de um restaurante que fiquei por bons anos acompanhando.
Um outro marco importante foi em 2010 ter participado de um projeto da ViniPortugal, um curso que depois havia um concurso para ser escolhido o melhor sommelier de vinhos portugueses do estado do Ceará, eu fiquei em primeiro lugar.
Como é a experiência de atuar como professor de vinhos e formar novos apreciadores e profissionais?
Isso é muito motivante, é assumir a responsabilidade de ajudar uma cadeia gigante. Desde produtores, que podem ser pequenos a grandes empresas, toda a cadeia de vendas e finalmente chegar a orientar pessoas sobre como o vinho pode lhes dar muito mais prazer se for apreciado da forma correta e no momento certo.
Quais são os maiores desafios no ensino sobre vinhos?
Vários, o primeiro é de tirar a mentalidade de que vinho é difícil, que é inacessível, de que sempre o caro é bom, e sempre o barato é ruim. Enfim, existem desafios estruturais também, o preço dos vinhos no Brasil é bastante fora da realidade internacional.
Como presidente da ABS no Ceará, quais são suas principais metas e projetos à frente da instituição? E quais os desafios?
Gostaria de trazer uma atividade nacional para Fortaleza, um Concurso do melhor do Brasil ou quem sabe do nordeste, temos 4 anos pela frente para conseguir.
Gostaria muito de conseguir mobilizar os profissionais do serviço do vinho da cidade, de todos os estabelecimentos em reuniões periódicas, isso é um projeto para curto prazo, já já teremos novidades.

Como você avalia o crescimento do mercado de vinhos em Fortaleza nos últimos anos?
Impressionante, nos últimos 15 anos, coincidentemente, mas nem tanto, os vinhos ficaram muito mais em evidencia do que tempos atrás quando víamos por exemplo, vinhos de uvas não viníferas nas cartas de Fortaleza, o público amadureceu bastante nos últimos 15 anos, tempo de atividade da ABS-CE.
Qual é o perfil do consumidor de vinho na capital cearense hoje?
Hoje, temos um grande perfil feminino que despontou nos últimos anos, participando de encontros, organizando encontros. O vinho em geral é uma bebida de pessoas mais maduras, mesmo com pouca idade, então normalmente acima de 35 anos.
Como sua atuação como colunista contribui para aproximar o público do mundo dos vinhos?
Uso a coluna para dar acesso, falo de temas cotidianos, sempre com algumas indicações de rótulos, mas sempre tentando facilitar. A minha coluna é para gerar visibilidade para o vinho, inspirar a curiosidade, quem quer aprender mais profundamente nos procura na ABS-CE.
Que dicas você daria para quem quer começar a apreciar vinhos sem gastar muito?
Primeiro é participar da associação, na ABS-CE os eventos para associados são mais baratos que para não associados, e lá você sendo direcionado por profissionais experientes ganha conhecimento sem precisar investir sozinha em várias garrafas de vinhos, a partir dos eventos você consegue provar, 5, 6 e até 7 rótulos por noite, no curso de profissionais são mais de 130 rótulos durante o curso.