
Sabe aquela visita que vem do interior e tem sempre uma sacola a tiracolo? Sim, aquela repleta de itens que não conseguimos coletar ou colher nas nossas varandas gourmet.
Falo daquele jerimum plantado e colhido ali no sertão, e que se desmancha na garfada, da dúzia de ovos caipiras que sua própria tia coletou no galinheiro do quintal. Esses ovinhos miúdos, mas repletos de sabor, cozidos na casca ou “estrelados na manteiga” — alguém mais fala assim? — podem nos remeter imediatamente para aquela infância pé no chão.
Infância de quem vivenciou o fogão a lenha, as idas ao açude, ou ao rio para um banho ou arriscar uma pesca, que nem sempre dava certo, mas valia a diversão. Voltar para casa ao meio-dia, sol a pino, e aproveitar a sombra do alpendre, sentar no batente e almoçar uma pratada de feijão verde com nata, completando com uma farinha fininha e o bolinho feito com as próprias mãos, o famoso capitão, era o almoço perfeito para aquele Itinho, a criança dos anos 90, passando férias no sertão!
Como uma sacolinha pode nos fazer viajar em reminiscências de sabores, aromas e emoções? E você, qual sua lembrança de sacolinha do interior?