
Quando mãe e filho empreendem juntos, o negócio ganha um ingrediente especial: afeto. Em celebração ao Dia das Mães, o Sabores da Cidade ouviu chefs que compartilham com suas mães o vínculo com a gastronomia.
Entre aprendizados, desafios e conquistas, essa parceria fortalece vínculos e mostra que a cozinha também pode ser uma forma de celebrar a família, preservar raízes e construir sonhos lado a lado.
Em Fortaleza, mães e filhos transformaram a relação afetiva em parceria e legado. Eles compartilham não apenas o trabalho na gastronomia, mas também trajetórias marcadas por afeto, aprendizado e memória.
Armando Diógenes, do Restaurante Regina Diógenes, fundado na década de 1990 por sua mãe, Regina, começou a se encantar pela cozinha por meio da tradição familiar de receber amigos com uma mesa caprichada na execução do cardápio e na montagem.

Após passar alguns anos estudando fora do país, ele assumiu alguns compromissos na sede do restaurante do bairro Cocó. Ele assumiu a cozinha do restaurante e sua mãe ficou à frente “sempre dos doces e saladas”. Desde então, ele destaca a relação de trocas, onde perseguem “sempre o melhor em qualidade”.
Para muitos desses profissionais, esse trabalho em conjunto surge em meio a empreitadas. A chef Karol Teodoro, do Restaurante Aconchego, no bairro Centro, conta que aos 27 anos, quando decidiu vender comida sob encomenda, trabalhando em casa, sua mãe a ajudava nos dias de trabalho mais intensos. À época, ela era costureira doméstica, mas o dom de cozinhar bem, sempre esteve presente, como ressalta a filha.
“A demanda só crescia, começamos a vender pratinho em praças todos os fins de semana, até que em 2020 abri meu primeiro restaurante e, claro, ela veio comigo. Desde então, ela é a chef da praça quente (fogão) e eu fico na criação dos pratos e administração do negócio”, detalha Karol.
Desafios
Com o tempo, a convivência ganhou novos contornos: virou negócio, rotina intensa e uma troca constante de aprendizados. Trabalhar em família também exige equilíbrio emocional e cumplicidade em meio a desafios.

Karol conta não dá para negar que o nível do “se importar” é diferente quando se trabalha em família “Tem o se importar com o negócio, com a relação profissional e com a pessoal. Quando ela se acidenta na cozinha (faz parte da profissão), eu fico para morrer. Às vezes as coisas se tensionam, é óbvio, mas sempre resolvemos porque o amor prevalece. A Aconchego um dia foi meu sonho, mas hoje é o nosso”, completa.
Aquilo que fica
Para a vida, Armando leva algumas lições valiosas que aprendeu com Regina Diógenes. “Educação e respeito ao próximo”, ele enfatiza. A “perseverança e a fortaleza de que dias melhores virão” também é algo dela que ele guarda para si.
Já para Karol, sua mãe é uma “heroína”. “Eu nunca vi minha mãe reclamar de ter que trabalhar, por mais duro que seja em alguns momentos (…) Ela me faz sempre seguir em frente e fazer o que precisa ser feito. Ela não se assusta diante dos desafios e sempre diz que vai dar certo, e realmente dá”, acrescenta.
A chef enfatiza, ainda, que sua a ensina a ser forte e a resistir todos os dias, a fazer o que precisa ser feito com prazer e alegria.
As histórias reunidas pelo Sabores da Cidade revelam diferentes formas de viver a gastronomia em família. Em comum, mães e filhos carregam a comida como linguagem afetiva e ferramenta de conexão.
Mais do que dividir o mesmo espaço de trabalho, eles compartilham heranças, ensinamentos e sabores que atravessam gerações.