Chef Andrea Antonucci: raízes italianas, coração cearense e uma trajetória de dedicação à cozinha

Foto: Reprodução/Instagram @andreacucina_1982

Andrea Antonucci começou cedo sua história com a cozinha. Aos 16 anos, no Osteria Maria, o restaurante de sua família na Itália, ele iniciou como lavador de pratos e passou pelo salão antes de finalmente assumir o fogão. Sua trajetória foi inspirada pelo legado de seu pai, Antônio, e é alimentada até hoje pela memória afetiva e pelas técnicas caseiras de sua mãe, Loredana, e de sua vó Maria, presenças constantes na essência dos pratos que ele cria.

O destino de Andrea cruzou com o Brasil em 2006, quando ele veio para Fortaleza passar férias. Aos 22 anos, movido pelo desafio de descobrir o mundo, ele decidiu se estabelecer sozinho na capital cearense. Ao perceber que a cidade carecia de um restaurante italiano legítimo, como ele diz, Andrea abriu o seu primeiro empreendimento na Praia de Iracema, dando início a uma relação de amor o Ceará, onde o chef construiu uma relação profunda ao longo dos anos.

Sua dedicação à culinária foi reconhecida recentemente pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), que o homenageou no Dia Nacional do Chef de Cozinha, em maio deste ano. Para Antonucci, esse reconhecimento é o reflexo de anos de trabalho árduo e do carinho que recebeu tanto do público quanto dos profissionais da área ao longo desses últimos anos.

Atualmente, o chef ocupa uma posição de destaque como diretor gastronômico do Grupo OE, onde gerencia cinco operações distintas. Um dos maiores desafios dessa fase foi a inauguração do Cortile, restaurante do qual é chef executivo e que foi montado em meio às incertezas da pandemia.

Além de sua atuação nos restaurantes, Andrea Antonucci dedica-se a formar novas gerações através do ensino da gastronomia no Espaço Edil Costa. Seja ministrando cursos de massas e pizzas ou atuando como personal chef, sua motivação é se manter sempre em movimento e em busca de novos projetos. Leia a entrevista completa abaixo.

Sabores da Cidade: A culinária fazia parte da sua vida familiar? Houve alguém que influenciou sua relação com a comida e com o ato de cozinhar?

Andrea Antonucci: Sempre trabalhei com restaurante desde pequeno, desde 16 anos, quando cozinhava no restaurante da minha família, o Osteria Maria. De dia estudava e pela noite ajudava minha família no restaurante, logo me apaixonei por isso. Iniciei lá como lavador de prato para ajudar, passei também um tempo no salão e depois passei a trabalhar no fogão.

Em que momento a sua trajetória na gastronomia começou? E de que forma? Ser chef sempre foi a sua profissão dos sonhos?

Praticamente foi quase um percurso natural, seguindo a trajetória do meu avó e do meu pai. Foi tudo natural. Nunca pensei em um dia de ser chef e dono do meu restaurante. Sempre fiz tudo com muita dedicação e cheguei a ser chef.

Ao longo da carreira, quais experiências — seja em cozinhas, viagens ou outras experiências — mais contribuíram para a construção da sua identidade como chef?

Aqui no Brasil, tudo iniciou com um pequeno restaurante na Praia de Iracema. Depois, em 2017, saí de lá para viagens com o objetivo de me ajudar na minha profissão. Elas foram fundamentais para aprimorar a minha culinária em geral.

Eu vim para Fortaleza de férias, em 2006, quando eu vi que faltava um restaurante italiano legítimo, que foi o meu primeiro na Praia de Iracema. Esse abrimos em 2006. Minha escolha de Fortaleza foi o clima, a praia e o povo que me acolheu de braços abertos.

A cozinha italiana tem forte presença na sua trajetória. Como suas origens e referências culturais influenciam o trabalho que você desenvolve hoje?

Muitos pratos que eu executo e crio, tendo a colocar memória e a técnica caseira e afetiva tanto da minha vó e quanto da minha mãe. Mas na culinária em modo geral, evoluí muito e eu precisei me aprimorar e ir em busca de novos conhecimentos.

Todo profissional enfrenta desafios para se consolidar. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira e o que ele lhe ensinou?

Minha vida de um modo geral foi bem desafiadora. Eu deixei minha família quando tinha 22 anos e vim morar no Brasil, sozinho, sem saber de nada. Eu era muito novo e tinha todo um mundo pela frente para descobrir, mas deu tudo certo.

Atualmente, você atua como diretor gastronômico do Grupo OE e também como chef executivo do Cortile. Como é o desafio de gerenciar as cinco operações gastronômicas do grupo? E como equilibra essa posição e a atuação na cozinha do Cortile?

O projeto foi bem desafiador logo no início. Imagina, a primeira operação, o Cortile, foi montado logo em uma pandemia, onde a maioria tinha medo e não sabia como ela iria acabar.

Não está sendo fácil criar e pensar para cinco restaurantes, com cardápios e técnicas de culinária diferentes. Mas, com a ajuda do chef em cada unidade, tentamos juntos organizar o cardápio e o treinamento das equipes. Atualmente até no Cortile tenho um chef que me ajuda e me acompanha.

Além dos restaurantes, você também se dedica ao ensino da gastronomia. O que o motiva a compartilhar conhecimento com novas gerações de cozinheiros?

Além do restaurante, tenho prazer e orgulho de ensinar e me divertir vendo cada aluno feliz no espaço Edil Costa, onde faço curso de culinária italiana Massa & Molho e curso de pizza italiana com um toque do Ceará.

Esse também é um novo desafio e vem da vontade de me colocar sempre em jogo, indo em busca de novos projetos, inclusive estou fazendo novamente Personal Chef com cardapio personalizado.

Recentemente, você foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Ceará em celebração no Dia Nacional do Chef de Cozinha. O que esse reconhecimento representa para você depois de tantos anos dedicados à profissão?

Reconhecimento é sempre muito bom, mais ainda sendo reconhecido pelo Legislativo. Esse é um reconhecimento da minha dedicação e carinho que tenho pela gastronomia. E honra-me mais ainda porque eu vim de uma cultura diferente e graças a Deus consegui me colocar na cultura cearense.

Quando olha para a trajetória construída até aqui, do jovem que descobriu a cozinha ao chef que se tornou referência em Fortaleza, qual legado gostaria de deixar para a gastronomia cearense?

    Sempre penso assim, em todos os desafios que eu passei, problemas que enfrentei, o que não faria de novo. Sou muito grato ao povo cearense que me acolheram de braços abertos, especialmente muitos profissional dessa área gastronômica. Minha palavra é gratidão!

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